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quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Estou assustada, estou magoada, estou perdida . perdida ao fundo de um beco sem saida, está escuro e frio e eu cheia de medo . onde estou eu e porque vim aqui parar ?

ESTAVA A DORMIR e amava o mundo, era tudo tão lindo era tudo tão perfeito . eu via as nuvens a formarem um coração e todas as coisas que estavam à minha volta tinham pare . todos viviam em conjunto e todos era felizes assim . havia também uma família  um pai, uma mãe e ao fim de algum tempo uma menina . essa menina cresceu e eu vi o crescimento dela, ela era bonita com olhos castanhos e cabelo grande (até ao rabo quase), liso e castanho escuro (preto quase) . todas as meninas da idade dela a admiravam  ela estava sempre com um sorriso enorme na cara . não parava de rir mesmo que não tivesse piada, era uma menina feliz . tinha orgulho em ir para a escola e falar com as suas amigas, contava-lhes tudo o que se tinha passado e entre si desabafavam todas . os meninos ruidinhos de ciumes ao lado a quererem saber o que elas cochichavam . e quando chegava a hora de ir para sua casa tinha lá sempre o seu pai à porta da escola para lhe pegar ao colo e lhe dar um abraço de tanto aconchego que durava alguns minutos . quando chegava ao pé do seu pai os olhos dela brilhavam . brilhavam de tal forma que o sorriso do seu pai se iluminava logo de seguida .

ACORDEI ! deparei-me com o mundo real e quando me apercebi disso só me apetecia nunca ter adormecido . o sol brilhava, contavam anedotas e eu sem rir . via o meu pai e só não chegava ao pé dele como nem uma palavra ouvia . quando ia para a escola só desejava que chegasse a hora, não de ir para casa mas de mais um dia ir andar e tentar de novo adormecer . queria falar com as minhas amigas mas elas já não existiam . tentei criar novas e passado algum tempo já estavam de costas voltadas, a serem falsas e desonestas . sorria sem razão para tal, um sorriso parvo e insignificante . andava e andava à espera de encontrar os tais casais unidos e felizes . neste mundo estavam todos de costas voltadas, ou eram todos infelizes . ouvia choros de um lado e do outro, quando percebi que esses choros eram tão altos que não podiam ser de mais ninguém a não ser meus . estava cansada de ouvir a voz do meu pai e não puder responder . estava cansada de risinhos por todos os lados . estava cansada que o mundo estivesse virado de costas para mim .

MAS na verdade isso não era bem assim . na verdade era eu que não conseguia crescer e ouvia e via e ligava a tudo o que me diziam . na verdade o mundo era deles e não meu ! daí que um dia abri o olho, mas desta vez abri mesmo e reparei que tinha diante mim um rapaz de olhos verdes (azulados debruados a castanho) com um cabelo esquisito castanho . ele disse que me daria um mundo melhor, que faria de mim o que eu já tinha sido . orgulhava-se do meu sorriso e não ligava aos meus defeitos . éramos capazes de ficar a olhar minutos um para o outro a sorrir e a olhar nos olhos . ele proporcionava-me maravilhosos momentos de ternura, paixão e carinho . levava-me a passear e de mão dada assim andávamos . ele protegia-me e abraçava-me para que eu me pudesse sentir de novo segura . fazíamos juntos todas as parvoeiras e palhaçadas . respeitávamos-nos e éramos felizes .

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