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sábado, 22 de dezembro de 2012

Um amor

De um dia para o outro deixei de chorar pelo passado e comecei a lutar pelo futuro. Era um dia como outro qualquer até chegar à noite, as lágrimas começaram a cair, o medo começou a aumentar. Não conseguia dormir, várias vezes deitava a cabeça na almofada mas mesmo assim, os olhos nem semicerravam! Decidi então começar a escrever no meu caderno, eram apenas uns rascunhos que iriam para o lixo. De certo modo eu não iria querer mais ler um texto a relatar aquilo que estava a passar, foi então que recebi um convite que me fez mudar de ideias. Desabafar talvez fosse uma boa ideia, para uma jovem, mas não era o meu caso. Contudo, eu precisava de rir e foi isso que fiz. A cada coisa que dizia eu ria e ria mais e voltava a rir e assim se repetiu toda a noite. Nem acreditava que estava a ouvir o meu riso de novo, coisa rara nos últimos tempos! Descobri algo que me fazia sorrir e então quis repeti-lo sucessivamente todas as noites, todas as manhãs e todas as tardes. O único esforço que precisava de fazer, era lutar. Sozinha não tinha forças, nem vontade sequer. Espantosamente, não precisei de pedir ajuda, ela veio até mim, fazia-me bem 24h por 24h todos os dias. Algo que já não acontecia à muito tempo com tanta generosidade. Fez-me acreditar que ainda podia ser feliz, que ainda devia acreditar que existia uma vida como nos tempos passados. Aceitei o seu pensamento e é a pensar nele que hoje vivo, é no seu coração que hoje moro. Dei o meu coração para se aconchegar e poder viver em paz e feliz. Compartilhámos ambos a nossa cumplicidade e lealdade, assim como a felicidade que eu não tinha, hoje vem dele. Eu sonhava em um dia encontrar algo que me fizesse bem, hoje isso é real, deixou de ser apenas um sonho e passou a ter vida. Vida essa que é conjunta com a minha! Ainda passei um pouco de sofrimento, pensei que fosse meras coisinhas da sua cabeça, até perceber que me dava o devido valor. Foi então que me aproximei e lhe mostrei que ambos queríamos a mesma coisa. Comecei a escrever sobre si, sem sequer dar conta, nunca citava o seu nome, mas quando relia era a sua imagem que me vinha à cabeça. Todas as noites, sem falta, recebia uma mensagem de boa noite e todas as manhãs se sucedia o mesmo. Dava-me sinais de vida durante o dia, mesmo sabendo que eu não ia responder pois estaria sem mensagens. Começou a não aguentar e necessitava de ouvir a minha voz, ligava-me de vez em quando. Com as saudades que eu tinha, mandava-lhe tolking's para ele me ligar e quando não mandava, ele fazia-o. A música que ouvia em todo o dia era a melodia da sua voz. Adorava ouvi-lo a dormir, vinha cansado de trabalhar mas mesmo assim ligava-me. Fazia esforços só para me ver a sorrir! Eu tinha medo de me apaixonar, medo de me iludir, pois certas palavras suas me faziam recuar, me faziam deixar de acreditar. Aconteceu que o meu coração começou a bater forte e cada vez mais forte por si. Sempre de pé a trás lhe dava pistas do meu sentimento e ele começou a concordar e a relatar o que também fazia o seu coração cada vez que falava de mim. As frases de amor que eu via, os planos que fazia na minha cabeça, já eram com a imagem dele que tudo acontecia. Consequentemente comecei a ter ânimo para estar consigo. Já sentíamos borboletas na barriga, sentíamos ciumes. Via as suas fotos com o princípio das decorar na minha mente e relembrá-las quando dormia ou a qualquer momento do dia. Havia a necessidade de brincarmos, de rir-mos a todo o segundo! Até quando nos calávamos eu ria, porque o silêncio falava por si. Quando chegou a hora de o ver, hesitei .. Tentei negar para mim mesma que estava apaixonada, todavia não consegui, o sentimento parecia estar a saltar da minha boca. Aceitei. O momento estava-se a aproximar e eu cheia de vergonha para com ele. No caminho comecei a sentir ânsia de o ver e parecia que os transportes me estavam a atrasar de propósito assim como a ele. Cheguei ao local e esperei que ele lá estivesse, ao invés recebi uma chamada, era ele a dizer que estava atrasado. Então comecei a duvidar e a passear pelo sítio combinado. Até ele me pedir para ir ter com ele a outro sítio e logo de seguida mudar e me dizer para ir ter a outro lado. Comecei a ficar cada vez mais confusa, parecia brincadeira! Esperei-o onde me pediu que ficasse. Olhava de um lado para o outro, sem nunca parar de o procurar. Não esperei muito tempo até ele me aparecer à frente, fiquei completa de vergonha, não conseguia falar sequer. Cumprimentei-o e aos seus amigos. Pela coincidência uma rapariga perguntou se éramos namorados, fiquei sem palavras e virei a cara com tanta vergonha que até se via pela cor das minha rosetas. Logo de seguida o seu amigo respondeu "cada coisa a seu tempo, não aceleremos as coisas". Foi aí que percebi que esse rapaz já sabia de algo e fiquei mais convicta. Decidimos ir para a zona dos jogos, brincámos, rimos, tudo juntos. Ele fazia-me cocegas e eu a ele. Ria-mos e ria-mos sem parar. A certa altura abraçou-me e eu senti o seu coração, afastei um bocado e olhámos olhos nos olhos. Foi mágico como eu consegui ler o seu pensamento em apenas três segundos e logo de seguida os lábios se uniram. Voltei a olhar para si e abraçou-me, com tanta força que me senti realmente segura nas suas mãos. Passeamos de mão dada ou até mesmo abraçados. Voltamos ao sítio dos jogos e voltá-mos a rir, jogamos juntos na mesma máquina e ele brincou comigo. Sentados numa mota, andávamos de um lado para o outro, sem prestar sequer atenção ao jogo. Pura brincadeira entre nós. Abraçou-me e disse-me ao ouvido o quanto gostava de mim, só lhe pedi que não me deixasse. Ele não me largou um segundo, foi o que mais gostei. Passa-se quem fosse, ele cumprimentava de mão dada comigo. Pegava -me ao colo e ficava a olhar para mim. Na hora da despedida fiquei atrapalhada, não queria ir embora, queria apenas ficar ali com ele e continuar a tarde toda a brincar. Ficámos um bom bocado agarrados até partirmos para caminhos diferentes. Não parava de pensar como ele iria para tão longe. Mas tenho a certeza que o seu amor por mim é verdadeiro, é amor. Fez de mim a sua mulher, tratou-me como sua princesa, cuidou de mim como sua filha, brincou comigo como sua irmã, abraçou-me como sua amiga e ainda me fez sentir como sua piquena.

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